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quinta-feira, 28 de abril de 2016

FESTIVAL de poemas

William Shakespeare

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Comparar-te a um Dia de Verão?

Comparar-te a um dia de verão? 
Há mais ternura em ti, ainda assim: 
um maio em flor às mãos do furacão, 
o foral do verão que chega ao fim. 
Por vezes brilha ardendo o olhar do céu; 
outras, desfaz-se a compleição doirada, 
perde beleza a beleza; e o que perdeu 
vai no acaso, na natureza, em nada. 
Mas juro-te que o teu humano verão 
será eterno; sempre crescerás 
indiferente ao tempo na canção; 
e, na canção sem morte, viverás: 
    Porque o mundo, que vê e que respira, 
    te verá respirar na minha lira. 
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Meus Olhos Vêem Melhor se os Vou Fechando

Meus olhos vêem melhor se os vou fechando. 
Viram coisas de dia e foi em vão, 
mas quando durmo, em sonhos te fitando, 
são escura luz que luz na escuridão. 
Tu cuja sombra faz a sombra clara, 
como em forma de sombras assombravas 
ledo o claro dia em luz mais rara, 
se em sombra a olhos sem visão brilhavas! 
Que benção a meus olhos fora feita 
vendo-te à viva luz do dia bem, 
se a tua sombra em trevas imperfeita 
a olhos sem visão no sono vem! 
    Vejo os dias quais noites não te vendo, 
    e as noites dias claros sonhos tendo. 
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Sem um Filho te Apagarás no Poente

A luz real ergueu-se a oriente 
com a coroa de fogo na cabeça: 
e o nosso olhar, vassalo obediente, 
ajoelha ante a visão que recomeça. 
Enquanto sobe, Sua Majestade, 
a colina do céu a passos de oiro, 
adoramos-lhe a adulta mocidade 
que fulge com as chamas dum tesoiro. 
Mas quando o carro fatigado alcança 
o cume e se despenha pela tarde, 
desviamos os olhos já sem esperança: 
no crepúsculo estéril nada arde. 
    Assim tu, meio dia ainda ardente, 
    sem um filho te apagarás no poente. 
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Ah, que Olhos Pôs Amor na Minha Cara

Ah, que olhos pôs Amor na minha cara 
mas sem correspondência a fiel vista? 
Ou se a têm, meu juízo onde é que pára 
que em tão falsas censuras inda insista? 
Se é belo o que meus olhos falso adoram 
que quer dizer o mundo em negação? 
E se não é, amor mostra se goram 
seus olhos, menos fiéis que os homens: não, 
como pode? Como pode, se pranto 
e espera o afectam, ser fiel no olhar? 
De erros da minha vista não me espanto, 
o sol não vê até o céu limpar. 
    Manhoso amor, com choros pões-me cego, 
    mas vendo bem, a tuas faltas chego. 
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Ah, que Olhos Pôs Amor na Minha Cara

Ah, que olhos pôs Amor na minha cara 
mas sem correspondência a fiel vista? 
Ou se a têm, meu juízo onde é que pára 
que em tão falsas censuras inda insista? 
Se é belo o que meus olhos falso adoram 
que quer dizer o mundo em negação? 
E se não é, amor mostra se goram 
seus olhos, menos fiéis que os homens: não, 
como pode? Como pode, se pranto 
e espera o afectam, ser fiel no olhar? 
De erros da minha vista não me espanto, 
o sol não vê até o céu limpar. 
    Manhoso amor, com choros pões-me cego, 
    mas vendo bem, a tuas faltas chego. 

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