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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Estudo

Subitamente descobrimos o acaso 
na nuvem que passa pelo pássaro 
ou no pássaro que soturnamente percorre a nuvem. 

De repente aprendemos a flor das coisas 
e os seus movimentos na paisagem. 
De repente trocamos a imagem pela paisagem 
a palmatória pela parábola. 

De repente descobrimos que os espelhos nos evitam 
que o amanhã pertence aos outros 
que da janela somos observados 
por super-homens de celulóide. 
De repente é o metal do amor que silencia 
no coração onde tudo é paisagem. 

Subitamente compreendemos 
que as palavras envelhecem com os homens 
que o amor também envelhece 
quando as palavras envelhecem. 

            FRANCISCO CARVALHO 
In Os mortos azuis, 1971 

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