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segunda-feira, 28 de março de 2016

SONETO IV - A UMA SENHORA

Dos meus lares, dos meus que choro ausente,
me vieste acordar saudade ímpia,
tu, amada do Anjo d′Harmonia,
que te fazes ouvir tão docemente.

Do piano o teclado obediente
ao teu tocar encheu-se de magia,
e lá dos mortos na soidão12 sombria
operou-se um milagre de repente.

A morte sobre a fouce, entristecida,
amarguradas lágrimas verteu,
talvez do fero ofício arrependida!

Bellini do sepulcro a pedra ergueu;
e, cheio de alegria desmedida,
c′um sorriso de glória um - bravo - deu. 

 LAURINDO RABELO 
In Poesias, 1946 
Obs.: mantida a grafia original 

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