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quinta-feira, 31 de março de 2016

SONETO CCXXXII [QUANTA INCERTA ESPERANÇA, QUANTO ENGANO]

CCXXXII 

Quanta incerta esperança, quanto engano! 
Quanto viver de falsos pensamentos! 
Pois todos vão fazer seus fundamentos 
Só no mesmo em que está seu próprio dano. 

Na incerta vida estribam de um humano; 
Dão crédito a palavras que são ventos; 
Choram depois as horas e os momentos 
Que riram com mais gosto em todo o ano. 

Não haja em aparências confianças; 
Entende que o viver é de emprestado; 
Que o de que vive o mundo são mudanças. 

Mudai, pois, o sentido e o cuidado, 
Somente amando aquelas esperanças 
Que duram para sempre com o amado. 
                                    © LUIZ VAZ DE CAMÕES 
In Obras de Luíz de Camões (Vol. II), 1861 
Pelo Visconde de Juromenha 

NOTA: 
1. ortografia atualizada 

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