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segunda-feira, 21 de março de 2016

IGNOTUS

(A Salomão Sáragga)


Onde te escondes? Eis que em vão clamamos,
Suspirando e erguendo as mãos em vão!
Já a voz enrouquece e o coração
Está cansado — e desesperamos...

Por céu, por mar e terras procuramos
O Espírito que enche a solidão,
E só a própria voz na imensidão
Fatigada nos volve... e não te achamos!

Céus e terra, clamai, aonde? aonde? —
Mas o Espírito antigo só responde,
Em tom de grande tédio e de pesar:

— Não vos queixeis, ó filhos da ansiedade,
Que eu mesmo, desde toda a eternidade,
Também me busco a mim... sem me encontrar!
               ANTERO DE QUENTAL
In Sonetos, 1861
Edição de 1886
(Org. J. P. Oliveira Martins)

NOTAS:
1. soneto do período: 1874 - 1880
2. grafia atualizada

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