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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Resenha - Os Elefantes não Esquecem de Agatha Christie

Considerada a Rainha do Crime, Agatha Christie escreve com grande maestria criando não só casos policias impossíveis de serem resolvidos a nossos olhos, como também explora os sentimentos e vidas de seus personagens, deixando suas obras literárias não apenas fascinantes, como também clássicas e consagradas.

E no livro Os Elefantes não Esquecem temos esse mesmo resultado.

Sinopse: "Os corpos de Lady Ravenscroft e de seu marido, o general Ravenscroft, foram encontrados no meio de um penhasco onde anos

antes uma outra mulher tivera também um trágico acidente. O casal tinha sido morto a tiro e junto deles encontrava-se a arma do crime. Apesar de não se ter descoberto o motivo, a polícia concluiu tratar-se de um duplo suicídio e o caso foi dado por encerrado. No entanto, doze anos mais tarde, um amigo do casal, não convencido com a explicação encontrada pela polícia, decide desenterrar a história e pede ajuda a Hercule Poirot para desvendar este misterioso caso. Para poder levar a cabo a sua investigação Poirot vai ter de contar com a memória de três testemunhas: uma velha senhora, um médico e um professor. É a partir dessas memórias que Poirot se embrenha no passado e descobre que antigos pecados deixam marcas profundas."

O livro começa com a famosa escritora de romances policias, Ariadne Oliver, que é convidada para um almoço onde muitos outros autores estarão presente. A reunião tinha tudo para ser um tempo agradável, mas quando uma estranha mulher, a Sra. Burton-Cox lhe aborda com certas perguntas sobre um caso inexplicável que foi tido como duplo suicídio anos atrás, Ariadne recorre a seu amigo e detetive infalível, Hercule Poirot.

Após uma rápida conversa, fica acertado que os dois irão atrás de pessoas que estavam ligadas ao casal, que morrera 12 anos atrás na beira de um penhasco, com um revólver entre os dois e com suas digitais. O caso fora solucionado como duplo suicídio, mas alguns diziam que era um pacto de morte e outros que fora um crime passional. E as perguntas de Sra. Burton-Cox se relacionavam ao fato, pois queria saber sobre os pais - o casal encontrado morto - da jovem que se casaria com seu filho.

Esse é o ponto que Christie dá início ao seu livro. Com poucos personagens, a autora desenvolve uma história fantástica e com poucos fatos ela nos cativa na leitura, e ficamos sedentos pela resposta do crime. Na obra em questão não existem muitas "pistas" sobre o assassino - ou assassinos - que executaram o crime, mas sim apenas vemos o desenrolar das cenas, e por essa simplicidade Agatha vai traçando a história, até chegar a um final brilhante que só ela mesmo poderia ter feito.

Uma coisa que não gostei foi a ausência de "ação" na história. Por se tratar de um crime cometido a anos atrás, tudo o que temos é uma infinidade de capítulos apenas com entrevistas de pessoas relacionadas ao casal encontrado morto no penhasco. Mesmo que em certos momentos os personagens são confrontados por certas revelações, a obra fica meio vazia, e é preciso fazer um pouco mais de força para chegar até o final da leitura.

Aviso que a obra não é maçante, mas para alguns leitores exigentes, talvez não seja uma boa escolha mergulhar de cara na leitura, pois você pode encontrar o contrário do que procurava.

Os personagens como sempre, bem construídos nas histórias da autora, e no estilo dela, Agatha explora os sentimentos deles todos, e ainda mais quando parece que ela nos transporta pelo tempo, 12 anos atrás, narrando certos fatos por entre diálogos dos entrevistados. Ficamos a par de tudo o que aconteceu, e sempre vemos que a personalidade dos personagens estão entrelaçadas com certas coisas. Isso chega a ser meio difícil de dizer, mas a autora tem uma facilidade de descrever, não fisicamente seus personagens, como também emocionalmente e mentalmente.

Ariadne Oliver no começo do livro é uma personagem que tem mais destaque, mas logo Hercule Poirot rouba a cena do meio para o final da história. No começo da leitura até senti ausência do detetive, mas logo depois a autora deu uma virada na história e foi esquecendo aos poucos a Sra. Oliver, não por completo, mas a deixou um pouco de lado, deixando-a apenas presente em certas cenas que ela entrevistava algumas pessoas.

Outra personagem é a afilhada Célia Ravenscroft de Ariadne, filha do casal encontrado morto no penhasco. Não conhecemos muito ela por completo, mas pelas descrições da autora em certas cenas do livro, sabemos que a personagem tem uma personalidade tranquila, e mesmo sabendo da morte dos pais, não se deixou abalar inteira. Seu noivo, Desmond Burton-Cox, filho da megera Sra. Burton-Cox é um pouco acanhado, e nas vezes que pediu ajuda a Poirot durante o livro, nós podemos ver que quer o melhor para seu futuro casamento e que ama bastanteCélia.

Enfim, o livro é mediano para mim, não encontrei uma história totalmente que te cative logo de cara, apenas interessante a escrita de Christie que nunca perde o foco do objetivo do livro. Não foi um dos meus favoritos, mas recomendo para aqueles que querem uma leitura saudável e leve.

O final para mim foi uma surpresa, até o contrário do que eu cria que seria, mas em alguns pontos eu acertei. De algum modo, a autora consegue nos passar uma última mensagem, que só lendo, dará para entender.

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