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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Olhos de santa

A Antônia Araújo 

Cheios de treva e luz, teus olhos têm a cor 
Das noites sem luar, ó meu divino amor! 
E eu amo tanto a sombra e o brilho doce e puro 
Dos grandes olhos teus, ó luz de meu futuro, 
Como adora minh’alma os rútilos clarões 
Do bando virginal de suas ilusões. 

Olha-me sempre e sempre... Em teu olhar formoso, 
Minha noite e meu sol, ó Querubim piedoso! 
Eu quero ver à toa, eu quero ver boiar, 
- Como se fosse um lago o teu formoso olhar - 
Todo um mundo sem fim de sonhos e quimera, 
Lírios desabrochando ao sol da Primavera. 

Não vês? É noite, e o Céu nos mostra tanta luz 
Que, olhando para cima, eu cuido que Jesus 
As estrelas formou de lúridos novelos 
Dos raios ideais do sol de seus cabelos... 
E assim no teu olhar, doce como um jasmim, 
Uma estrela se fez do nosso amor sem fim. 

Deixa brilhar a estrela loura e mansa, 
Que nos há de guiar à Terra da Esperança. 


                        AUTA DE SOUZA 
                                              In Horto, 1900 

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