Follow by Email

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

O PALÁCIO DA VENTURA

Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão — e nada mais!


© ANTERO DE QUENTAL
In Sonetos, 1861
Edição de 1886
(Org. J. P. Oliveira Martins)

NOTAS:
1. soneto do período: 1862 - 1866
2. grafia atualizada
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário