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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Vou dormi

Dentes de flores, touca de sereno, 
Mãos de ervas, tu, ama-de-leite fina, 
Deixa-me prontos os lençóis terrosos 
E o edredom de musgos escardeados. 

Vou dormir, ama-de-leite minha, deita-me. 
Põe-me uma lâmpada à cabeceira; 
Uma constelação; a que te agrade; 
Todas são boas: a abaixa um pouquinho 

Deixa-me sozinha: ouves romper os brotos… 
Te embala um pé celeste desde acima 
E um pássaro te traça uns compassos 

Para que esqueças… obrigado. Ah, um encargo: 
Se ele chama novamente por telefone 
Diz-lhe que não insista, que saí… 

                Alfonsina Storni

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