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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

UMBRAL

Quem quer que sejas – ao cair do dia
sai do quarto, onde nada há que não vejas;
antes do longe, a casa é a última vigia:
quem quer que sejas.
Mal consegues que teus olhos cansados
se libertem da soleira já gasta;
com eles ergues, negra, esguia, em alongados
gestos contra o céu, a árvore: e a si se basta.
Fizeste o mundo. E ele é grande, lembrando
uma palavra que, muda, amadurece.
A tua vontade entende-o. Mas já esses
teus olhos docemente o vão deixando... 

RAINER MARIA RILKE

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