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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Soneto

Quando eu morrer a morte dos sentidos,
a morte que não ouve e que não fala,
põe sobre mim a paz dos teus vestidos
de algodão, a secreta paz de palha

dos teus seios amados e esquecidos.
Ouvirei os teus passos pela sala,
deserta de esperança e de zumbidos.
Tu me amarás na insólida mortalha,

vendo-me só, na grande noite mansa.
Quando eu morrer a morte dos mais belos
pensamentos que homem algum já teve,

a morte do Desejo e da Esperança,
põe sobre mim a paz dos teus cabelos
e o sol do teu adeus profundo e breve. 
Francisco Carvalho

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