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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

SONETO CLXXI [GUARDANDO EM MIM A SORTE SEU DIREITO]

CLXXI 

Guardando em mim a sorte o seu direito, 
Em verde me cortou minha alegria. 
Oh! Quanto feneceu naquele dia, 
Cuja triste lembrança arde em meu peito! 

Quando mais o imagino, bem suspeito 
Que a tal bem tal descanso se devia, 
Por não dizer o mundo que podia 
Achar-se em seus enganos bem perfeito. 

Pois se a Fortuna o fez por descontar-me 
Aquele gosto, em cujo sentimento 
A memória não faz senão matar-me; 

Que culpa pode dar-me o pensamento. 
Se a causa que ele tem de atormentar-me, 
Tenho eu de sofrer mal o seu tormento? 

         Luiz Vaz de Camões

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