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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O SEGREDO DO BALDE SELADO

A lua clara, lá de cima iluminava todo o chão 
mas, nas barracas da piscina, era grande a confusão. 
Alguém sonado... No escuro... Tropeçando no armário, 
apertando em pêlo puro o conduto urinário. 

Um baque. Um urro em surdina. Um impropério extravasado 
Um vaso sujo de urina e o conteúdo derramado 
(eu pago o preço de um níquel pra esquecer a cara inchada 
e o som daquele zíper estuprando a madrugada). 

O pim-pim piava, a Xuxa latia, 
as filhas chiavam... E a mulher?... Só ria. 

O camping todo acorda de repente 
com o barulho e o cheiro repelente 
e muita gente de estômago embrulhado, 
perguntava se era enchente ou a fossa tinha estourado. 

Só se ouvia vassourada nos dejetos. 
... e os respingos? Pendurados pelo teto! 
... coisas de reto, que só creolina Parkson 
aplicada um ano certo, dava conta do recado. 

Vassoura, água, mangueira, creolina, 
detergente e água quente, tudo pra tirar a catinga. 
Ficou provado, que até uma das meninas 
espargiu água benta, reforçada com mandinga. 

Os pernilongos se mudaram pro chiqueiro... 
urubu teve um desmaio, logo que sentiu o cheiro. 
Fratura exposta! — curiango infeliz —, 
deixou de bater as asas pra tapar o seu nariz. 

Até a NASA foi chamada com urgência, 
pra estudar as conseqüências daquele triste episódio; 
se retiraram, com uma certa incompetência 
pois, a nata da ciência acampou no mictório. 

A lua clara. lá de cima, iluminava todo o chão 
Mas, nas barracas da piscina era grande a confusão. 
... era tanta a comoção dos campistas em desalento 
que, formaram comissão, pra levar a julgamento; 

... mas, a patroa (que só ria), era muito criativa 
e achou bem depressinha a solução definitiva. 
foi pra São Roque e comprou sem muito alarde, 
de boa boca e de boa procedência, 

um belo balde pra aparar a excrescência 
e quando saía da barraca com a carga bem selada, 
ninguém sabia, ninguém desconfiava, 
que o mistério seu marido fabricava. 

Por isso amigo, pra evitar o comentário, 
eu lhe sugiro que não sente mais no balde. 
Peço que aceite este presente, mui singelo, 
de amigos tão sinceros, um branquinho papagaio. 

Quanto a você que esta se deleitando, 
não se chateie por que não ganhou também, 
quero que saiba que, nós todos procuramos, 
mas no Brasil, pro seu tamanho, 
papagaio ainda não tem. 

                    Cláudio Peres

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