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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

NADA FICA DE NADA. NADA SOMOS [1]

Nada fica de nada. Nada somos. 
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos 
Da irrespirável treva que nos pese 
Da úmida terra imposta, 
Cadáveres adiados que procriam. 

Leis feitas, estátuas vistas, odes findas — 
Tudo tem cova sua. Se nós, carnes 
A que um íntimo sol dá sangue, temos 
Poente, porque não elas? 
Somos contos contando contos, nada. 

               Ricardo Reis

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