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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

MUSA IMPASSÍVEL I

Musa! um gesto sequer de dor ou de sincero 
Luto jamais te afeie o cândido semblante! 
Diante de Jó, conserva o mesmo orgulho; e diante 
De um morto, o mesmo olhar e sobrecenho austero. 

Em teus olhos não quero a lágrima; não quero 
Em tua boca o suave e idílico descante. 
Celebra ora um fantasma anguiforme de Dante, 
Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero. 

Dá-me o hemistíquio d ouro, a imagem atrativa; 
A rima, cujo som, de uma harmonia crebra, 
Cante aos ouvidos d alma; a estrofe limpa e viva; 

Versos que lembrem, com seus bárbaros ruídos, 
Ora o áspero rumor de um calhau que se quebra, 
Ora o surdo rumor de mármores partidos. 

             Francisca Júlia

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