Follow by Email

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

MESTRE, SÃO PLÁCIDAS

Mestre, são plácidas 
Todas as horas 
Que nós perdemos. 
Se no perdê-las, 
Qual numa jarra, 
Nós pomos flores. 

Não há tristezas 
Nem alegrias 
Na nossa vida. 
Assim saibamos, 
Sábios incautos, 
Não a viver, 

Mas decorrê-la, 
Tranquilos, plácidos, 
Tendo as crianças 
Por nossas mestras, 
E os olhos cheios 
De Natureza... 

A beira-rio, 
A beira-estrada, 
Conforme calha, 
Sempre no mesmo 
Leve descanso 
De estar vivendo. 

O tempo passa, 
Não nos diz nada. 
Envelhecemos. 
Saibamos, quase 
Maliciosos, 
Sentir-nos ir. 

Não vale a pena 
Fazer um gesto. 
Não se resiste 
Ao deus atroz 
Que os próprios filhos 
Devora sempre. 

Colhamos flores. 
Molhemos leves 
As nossas mãos 
Nos rios calmos, 
Para aprendermos 
Calma também. 

Girassóis sempre 
Fitando o Sol, 
Da vida iremos 
Tranquilos, tendo 
Nem o remorso 
De ter vivido. 

            Ricardo Reis

Nenhum comentário:

Postar um comentário