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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

ENTRA CANTANDO, ENTRA CANTANDO, APOLO! 1891

Entra cantando, entra cantando, Apolo! 
Entra sem cerimônia, a casa é tua; 
Solta versos ao sol, solta-os à lua, 
Toca a lira divina, alteia o colo. 

Não te embarace esta cabeça nua; 
Se não possui as primitivas heras, 
Vibra-lhe ainda a intensa vida sua, 
E há outonos que valem primaveras. 

Aqui verás alegre a casa e a gente, 
Os adorados filhos, — terno e brando 
Consolo ao coração que os ama e sente. 

E ouvirás inda o eco reboando 
Do canto dele, que terás presente. 
Entra cantando, Apolo, entra cantando. 

                Machado de Assis

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