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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Bem de verdade

...a bem da gosto de conhaque,
a velha canção poderia começar tudo de novo,
                                                          a mesma ilusão traiçoeira,
o mesmo sem enlace...
mas não permito-me outro começo...
o que passou marcou-me
e jamais seremos os mesmos.
Estamos na arquibancada dos ausentes,
incoerentes como um gol impedido...verdade,
o grito preso na garganta,
o chicote,
a bala instalada nas artérias,
o peso morto da ilusão de um dia
ter as mãos enlaçadas nas tuas,
a solidão saciada,
a cumplicidade da dor compartilhada,
o motivo para sorrir, verdadeiro...
a esperança de ver tudo por inteiro,
sem essa mania de fugir da verdade.
Nenhum outro começo sugeriria tanto sonho,
tanta vontade de ir adiante...
derrubar barreiras,
trocar de identidade,
alimentar-se de carinho,
promessas, instintos...
ser feliz por ser,
sem a marca da vitória social,
mas a nossa marca pessoal,
a alegria pelo entendimento,
o perdão pelo arrependimento
de termos nos descoberto tão depois...
depois da queda dos cabelos,
dos pensamentos ingênuos,
da fertilidade tão desejada,
da  vida tão sem sentido,
que por tantas vezes foi negada...
depois do esforço
para nos mantermos em pé
e sempre sozinhos,
carregando no peito
o sentimento de impotência,
talvez por um amor não correspondido,
que além de inconstante,
não foi nada disso...
                                                                                                  Angela Lara

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