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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A FOME E O AMOR

A um monstro
Fome! E, na ânsia voraz que, ávida, aumenta,
Receando outras mandíbulas e esbangem,
Os dentes antropófagos que rangem,
Antes da refeição sanguinolenta!
Amor! E a satiríase sedenta,
Rugindo, enquanto as almas se confrangem,
Todas as danações sexuais que abrangem
A apolínica besta famulenta!
Ambos assim, tragando a ambiência vasta,
No desembestamento que os arrasta,
Superexcitadíssimos, os dois

Representam, no ardor dos seus assomos,
A alegoria do que outrora fomos
E a imagem bronca do que inda hoje sois!
 Augusto dos Anjos

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