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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A ABELHA QUE, VOANDO, FREME SOBRE

A abelha que, voando, freme sobre 
A colorida flor, e pousa, quase 
Sem diferença dela 
À vista que não olha, 

Não mudou desde Cecrops. Só quem vive 
Uma vida com ser que se conhece 
Envelhece, distinto 
Da espécie de que vive. 

Ela é a mesma que outra que não ela. 
Só nós — ó tempo, ó alma, ó vida, ó morte! — 
Mortalmente compramos 
Ter mais vida que a vida. 

              Ricardo Reis

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