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terça-feira, 10 de novembro de 2015

A ROSA

A vista incerta, 
Os ombros langues, 
Pierrot aperta 
As mãos exangues 
De encontro ao peito. 

Alguma cousa 
O punge ali 
Que ele não ousa 
Lançar de si, 
O pobre doido! 

Uma sombria 
Rosa escarlata 
Em agonia 
Faz que lhe bata 
O coração... 

Sangrenta rosa 
Que evoca a louca, 
A voluptuosa 
Volúvel boca 
De sua amada... 

Ah, com que mágoa, 
Com que desgosto 
Dois fios de água 
Lavam-lhe o rosto 
De faces lívidas! 

Da veste branca 
À larga túnica 
Por fim arranca 
A rosa púnica 
Em um soluço. 

E parecia, 
Jogando ao chão 
A flor sombria, 
Que o coração 
Ele arrancara!... 

               Manuel Bandeira

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